Bem Vindo

Seja bem-vindo. Hoje é

25 de dezembro de 2011

Nossa Parte


















Não se intimide, meu amigo. É preciso saborear
Agora o melhor de nossas falhas, vicissitudes...
O sangue é a tinta e as lágrimas o solvente para as manchas.
Sê no mar de pedregulhos o encouraçado mais objetivo
Que puder, sê a tora minúscula e última do remo
Ferindo a enorme boca aberta desse mar de olhos ciclópicos.
Vai de encontro a si próprio ainda que por aventura,
E se acaso deparar-se com o possante monstro
Paciência !, É você !, É o Leviatan de Hobbes,
Somos nós.
E se voltares, as cartas terão nossas faces,
Nossas dúvidas, erros e acertos.
Se ficares teremos a honra de discutirmo-nos.
Fica, meu amigo!
Deus planeja tanta coisa que dos nossos
Planos muito pouco usufruirmos.
Fica para tudo aquilo que ti pertence.
Viva meu amigo!

18 de dezembro de 2011

ônus





















Quando o sono estanca e o peito fogo labora,
É oficioso despertar da fidalguia do sossego;
Vir à fora do conforto desse apego
De sonhar-te cá, bem dentro, a toda hora.

Sinto o dia feito carga e via-cruz
Que se alonga tal a dor a despedida.
É mais choroso que um infame fim de vida,
Uma audiência de "Retrate-se a jesus".

Mas quando o fogo frente ao cerne da razão
Se acalma e cala como que obrigado,
Se aquieta e do incêndio abdicá.

Sinto falta da histérica emoção,
Do impulso que me assoma descarado
De lhe dar por toda vida a minha vida.

11 de dezembro de 2011

Meus parabéns















Neste dia, flor primeira, tome a aurora em toda calma
Vislumbrando calmaria toda em tudo;
Como quem descobre, sem querer, no fundo d'alma
Atalho certo que nos leve a paz do mundo.

Feche portas e janelas, cale tudo ao seu redor.
Sê viçosa ante a nova primavera,
E ao passado que se atém faça menor.
Teu futuro, sempre a frente, lhe espera.

Neste dia faça sol do teu sorriso,
E do que jaz um livro fechado
Sem novidade ou detalhe interessante.

Pra com você o bem máximo e preciso.
Que a idade nova seja-ti o grande achado
Como a todos os aniversariantes.

4 de dezembro de 2011

Luzes















Ouvi um canto sêco e o segui.
O tal canto aglomerava inúmeras vozes
De inúmeras pessoas que eu não conhecia.
Intricado no mesmo, haviam gritos horrendos, suplicantes,
Agoniadamente trevosos num dia tranquilo, subordinado...
Meus dramas se reuniam sindicalizados,
Procurei numa introspecção verídica a razão daquela loucura,
Encontrei o silêncio histérico da resposta pífia: estar vivo.
O Deus das horas certas é um gesto cabível,
Mas ainda, inultimente, sangramos a cada busca
De uma explicação plausível.
Perfuma-te, meu amor! Foge da carapaça, do cognoscível,
Irrompe pela fresta última...
Abre o peito de viver agora
E fecha os ouvidos ao canto sêco do "sei lá o que".




27 de novembro de 2011

Sonhos
















Juro que vi quando a treva chorou.
Aos meus olhos, meu amor, nada mais é fugidio,
Porque tú a eles inspiraste tanto brio,
Que mais claro do que enxergo é o teu valor.

Os meus olhos feito águias hoje vão
Ao encontro do meu ser, e assim, do seu.
Vão tirar a linha tênue desse brêu,
Findará a tensa dor da solidão.

E quando tudo que eles virem resumir-se
Ao pó dos bons momentos,
Ao findar de angústias vão,

Eu ficarei, de corpo e alma, aposto a dár-me,
Ao dispor dos seus lamentos,
Nas friagens. Tua lâ.


18 de novembro de 2011

Bares





















Acendi meu cigarro, traguei uma vez e chorei.
Lembrei, abruptamente, de tudo que não fiz,
Olhei-me de dentro para fora, chorei denovo e refleti:
Pensei naquele instante o quanto ainda te amaria.
Fui maior, dispensei a auto-ajuda,
Aboli todos os outros pensamentos mais prováveis.
Abstive-me de um plano de mudança,
Fui humano quanto os mais detestáveis,
A aguda e confusa lágrima.
Fui a lâmina cortante dos meus pulsos
Tomei do meu conhaque a dose especial
E bebi a bruta forma qual me vem a vida próxima;
Degustei ao meu modo e chorei.

6 de novembro de 2011

Me desculpe
















Queria muito estar agora nos teus braços:
Como objeto do seu último gesto em vida,
Como a vida última do seu gesto caro,
Só que sem perde-la dos meus sonhos e poesias.

Queria muito ser agora o teu sorriso:
Como resposta que não canso de esperar.
Como o deslumbre de sonhar o paraíso,
Só que sem entregas a um outro cortejar.

Queria muito ser bem mais que esse querer,
Que essa terrível, vã maneira de viver;
Que essa arrogância de pirata derrotado.

Mas pouco posso frente a sanha desse amor,
Sendo vítima e também o coautor
Desse drama qual estou acorrentado.


30 de outubro de 2011

caminhos





















Entre a névoa sobre meus olhos tristes
E o seu acordar tranqüilo de rainha do lar.
Entre minhas respostas concisas ao patrão
E as intimações do dia próximo de labuta.
Entre as noites frívolas dos novos jovens
E o meu amanhecer monótono.
Entre o meu romântico sonho antigo
E gíria, e piada nova.
Entre o meu olhar sóbrio e futuro,
E o impulso cego.
Entre os anos passados, presente e vindouros...
A ternura viva dos nossos olhos daqueles dias,
A expectativa que de mim não vai, nem se esvazia,
De água fonte perene que não vai ao sumidouro.

11 de outubro de 2011

Baladinha do bom moço














Fere feito lança
Se jogada com raivosa febre
De quem caça o inimigo,
Palavras que possam preceder
O triste fim de um grande amor.

Me engane, não importa,
Diga que ainda há chance
De um dia sermos nós, um só.
Alma livre e leve atá quando
Remetida for de novo ao pó.

Guarde sua piedade,
Quero mesmo é sua vida
Para que a minha tenha
Mais razão de ser vivida.
Leia epístola de " Paulo " e reflita!

"Só amor a tudo crê."
"Só amor a tudo espera."
Veja então, briguinhas meras
São menores que formigas,
Me beija, me ama, e viva!

2 de outubro de 2011

Tomando um Ar





















Dia - a - dia
Agente espera o sol sair,
Agente espera o jardim florir,
Agente desce pra subir.
Uma carta vai chegar
Avisando que não virá
E agente espera.
Alguém diz - olha lá, o próximo inverno!
Alguém diz - O bom governante!
Agente espera um pouco
Pra não acreditar, mas, no mesmo
Instante acredita. Sem esperar,
Agente paga pra esperar,
Fica esperando melhorar,
Espera que tudo certo vai dar...
No fim das contas - esperança!
Tome um Ar !

18 de setembro de 2011

Fanatismo





















Tolo é o trauma,
Vaidosa é a queimadura
Ante a força do primeiro amor,
O único que se pérpetua.

Como pode alguém reinventar
O terno e singular sabor
Da boca que te fez sonhar,
Da boca que te Revelou?

Correm longe outros beijos
De ti serem mais,
Do que um só foi.

Quero sempre lábios mesmos,
Os tempos atrás,
E que nunca enjôi.


9 de setembro de 2011

Vento nas asas
















Há sempre uma vida à parte, partindo de nós!
Aquele sonho, aquele desejo, entre todos, o predileto.
Aquela voz intima que diz que, à sós jamais;
Pois nada é todo por completo.

E no fundo falso do certo imaginário
Procura por nos levar na lábia, sábia,
Uma mentira branda... Outro dia de calendário.
Mesmo assim bebemos de promessas sérias.

Não peçamos essa vida à parte. Fiquemos em paz!
Inúmeras, infindáveis chamas fátuas cercam a nossa,
Aceitemos o modo, o jeito que a vida se faz;
Que não se esvaia em vão o que ainda viver se possa.

Meu amor, que o fato de passageiros sermos vença!
Porque longe de nós a perfeição é certa, só assim realista.
Favorável mais nos é do que se pensa,
Quando cremos, piamente, que a mesma não exista.

Vem comigo! Nesse afago que escrevo há mais verdade
Que nos pagamentos mais cobrados cegamente.
Vem agora, porque às portas de uma liberdade
O que interessa é o entrelaço eternamente.

28 de agosto de 2011

A epopéia de Barilho








 

 

 

No colo de um sonho exilou-se Barilho.

Fincou sua bandeira sob um céu de incerteza,

Sobre os ombros reclamou o perseguir de uma proeza,

Amaria sem quedar frente àquele descarrilho.

 

Foi-se embora feito os bravos navegantes,

E seu translado menos bravo e féro não o fôra.

Inda enfrenta a procela esmagadora

Dos que amam amores tão distantes.

 

Tantas circes..., Tantos cabos das tormentas...

Mais que isso de Barilho foi a bravura:

Fez ele do peito – antes berço de ternura –

O terreno propício à batalhas violentas.

 

Foi-se embora das antilhas do sossego…

Mar a dentro no oceano de uma espera

No batel de sua última vã quimera,

Foi pra longe de por si total apêgo!

 

Hoje, o infante cantador das agonias

Vive em “paz” na terra estranha de ilusão.

Vive o sonho do insâno coração,

Come e dorme uma rotina de poesia.

 

Que se calem de pessoa os heterônimos.

Que se esqueça de homero a odisseia.

Pois Barilho descobriu numa plebeia

Um tesouro, nesse mundo, sem sinônimos.





21 de agosto de 2011

A solidão











A solidão é mansa,

A nossa emoção descansa

Proporciona-nos um tempo

Para agirmos, com temperança.


Solidão não devora,

Nem tampouco é invasiva.

Mostra o sentido da vida,

A quem com ela se apavora.


Quem quiser pode sair e

A solidão deixar.

Ela por si se basta,

Não precisa acompanhar.


A solidão não tem fúria,

Tem segredos como o eu.

É uma forma bendita de

Reencontro com Deus.



"Um poema do grande poeta e amigo Reginaldo Pacheco".

12 de agosto de 2011

A mecânica de um adeus










 

 

 

A hora de partir dificilmente atrasa, vejo-a:

Pontual, certa como a vaidade tua de mostra-se bela.

Faz caras e retoques no espelho, e nas bordas do

Esgotar do tempo conveniente surge, urge implacável,

Imperiosa, exata!

Não há muito o que se faça, existem coisas; pessoas e voos.

É padecer.É, quiçá, romântico...

Chorar às vésperas do último ou do primeiro adeus,

Direito? Vaidade? - Miudeza, penso!

Pois que, o embrulho no estômago, a dor e o peso nas pálpebras

E, junto a isso, o natural desfecho de tudo - fora a morte -

Por nós é deferido, ou não.

O humano chora os mortos porque é fácil, é humano...

Já, cultivar o mínimo aqueles que pela hora insossa

De partir, levados são, - enquanto perto, dentro,

Ao redor e por inteiro - é tão pateticamente impossível?

Triste, minha gente, é confrontar o que podemos fazer

Melhor, com a nossa displicência burra.

Se ao menos, vez enquando vociferássemos:

" Vá-se embora, trem do tempo! "

Belos sonhos não findariam num adeus.

4 de agosto de 2011

Franco atirador





















Conheço bem essa vertigem sem razão de ser,
É simplesmente uma linda tolice.
Coisa de um abobalhado peito
Tonto das pancada desferidas a si próprio,
Torturado pela maior das belas tolices:
A tal entrega incondicional.
Nos verões nascem os dias à maneira que sonhamos.
Nos invernos a corriqueira chuva que,
Estanca somente a mando divino.
De uma à outra estação sobrevive a vertigem,
A bela tolice... A perca passional...
Noutros tempos acordávamos,
Noutros sonos nos perdíamos,
Quase sempre não sabíamos como adultos proceder.
Esses tempos eram bons,
Nesses tempos eram apenas sons
As vertigens do nosso viver.

24 de julho de 2011

Fumaça





















Sob as asas de la muerte como às bordas da canção
Que aos grandes daqui despacha e a chaga te pressiona,
Vida à fora mil amantes cegos vão.
Mesmo certos de no fim beijar a lona.

Sob os versos tão doridos de tentar cravar-te
Numa obra que atesta meu tristonho fado,
Trago a ferro bruta marca que distingui o mártir,
Exauridos ossos, exauridos traços.

É a luta mais ferrenha que se trava,
Da glória desta são seus louros um mistério,
De seu pós-dia nada mais que indagações.

É derrota tão estranha que não mata.
Piada que não tira-nos do sério,
Droga-mater, a melhor das sensações.

15 de julho de 2011

XIX-I-XI-XIX-I
















"Por onde andas, meu amor? Por onde andas?"
Fiz dessa pergunta o meu flagelo.
Sou campanário do sino da esperança
E único crente no amor que espero.

Por onde deixas, meu amor, teu puro cheiro?
Aquele mesmo que, ao anjo arrebatou,
Que fez o pobre renegar o céu inteiro,
Dar-se às trevas, aos humanos em penhor.

Para que prados olham hoje seus cristais?
Assimos digo porque olhos não parecem,
E ouso deles sem receio dizer mais-
Que brutas feras ante eles se enternecem.

Com tua voz, meu amor, a quem presenteia?
Essa que, sem brado, faz netuno aos seus volver,
E mito, sempre mito o canto da sereia,
A terra sem pressões se remexer.

Onde pousas, meu amor, teu colo nu?
Que campo belo entre montanhas...
Foi a trilha o meu melhor caminho
Na busca cega de suas entranhas.

Se acaso um dia, venha tu nos recordar,
Se atinares que ainda possa me querer,
Nestes versos, certamente encontrará
A parte em mim que algum valor possa ter.

7 de julho de 2011

Ateliê coração

















Tão grande é.
Que só o querer de um pequenino
Namorando um colo, Atenção, uns carinhos...
Eu o chamo-Amor por ti-infinito, intenso...
E vivendo por - este - a zelar, morrerei de cuidar.
É uma canção de passarinho, tem a alma na voz
E a voz é do coração, quebra o silêncio do ninho
Sem afrontar o embalo da paz, amor por ti,
Sempre tanto e nunca é demais.
Se revela num gesto, viaja na flor, na saudade...
Cabe na primeira impressão,
Faz-me tê-la na "fraqueza".
Refresca os dias em que a dor incendeia,
Sempre tanto, meu, nunca se vai,
Grão de areia!

23 de junho de 2011

Beleza Triste





















Ainda que as alvoradas festivas
Lhe invejassem e todos vissem,
Não poderiam sacudir as bases
Da tua beleza triste.

Ainda que os dias viessem
A copular com sua terna cor,
Tua insigne beleza triste
Ignoraria todo o esplendor.

No negror desses teus olhos abissais,
Já descansam vários homens condenados
Ao mistério que em teu ser somente existe.

No chorar dos meus poemas atuais,
Vão meus versos como forma de aplauso
À beleza rara de tua beleza triste.

13 de junho de 2011

Te prezo



Não me recordarás cantando ao teu ouvido,
Mas sim, da entonação do meu silêncio
Deflagrando todo amor.
Toda vez que me calo vejo os traços teus
Fazendo fremitarem as paredes do passado,
Ainda assim, frases fortuitas à muito ditas,
Fazem mais barulho, causam mais estrago.
Confie! Minha lágrima é sensata,
O que sinto agora é honesto, o sofrer é calmo.
Aprendi ama-la. Eis que te privo
Do meu querer feroz, do que grita em mim,
Em ti, com violenta voz e nos cobra
A todo custo.

5 de junho de 2011

Auguêstos V ( loucura culta)

















Há coisas que não entendo:
Um bom amigo sem amigos,
Os prazeres do perigo
E o que não serve sobrevivendo.

Casados e seus amantes,
O pecado, lei vigente.
Tudo hoje é como antes;
Um ciclo condescendente.

O mar que beija a terra,
Mas não firma compromisso.
E não se vai do próprio mar,

A noite que, de triste é bela;
O sonho num pobre omisso,
O sonho só de sonhar.





29 de maio de 2011

Auguêstos I


















Falo em mim bem pouco.
De um jeito morto para não alarmar
Que estou morrendo aos poucos,
E do que, não posso falar.

Optei por morrer calado,
Como o sonho que não pude sonhar;
Como aquele não realizado,
Feito livros por quais nada de se dá.

Como amante condenado
A amar e não ter,
A ter o que não quer,

A lutar pelo já conquistado;
A ver o que ninguém vê
E amar uma só mulher.


20 de maio de 2011

Auguêstos III
















Um dia minha alma secará!
Escrevo, faço em mim uma drenagem
E dela um rito de passagem,
Do que a mim não mais perecerá.

Tive ódio e não quero mais.
Meu amor um dia foi carnal,
Por esse dia rifei a santa paz;
Odiei a falta de moral,

Quis até sumir do mundo,
Do meu eu,
Sem rastro deixar;

Quase entro em parafuso,
Pensei ser Deus...
Me quis matar.

8 de maio de 2011

O bolero de Zeus

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Pode pedir o sol,

Pode pedir a lua que faço um esforço e trago à você.

Existências a mais, alegrias das ruas, sonhos de carnavais,

Infinito prazer...

Mas te faço um pedido: Não peça para te esquecer.

Outra cor para os olhos,

Toda sorte de mares,

Noite só de bons sonhos,

Chuvas particulares...

Uma estrela só tua, privilégio de aos céus

Invejar ou,

Dou-lhe o céu

Pra que sejas estrela

E se faça brilhar.

2 de maio de 2011

Penitência

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Certa feita, calmo e pensativo,
Bocejava de saudade imaginando-te perto.
Um calor das coisas que nunca me disseste
Tomou-me o peito e delirei.
Dávamos as mãos e nossos passos combinavam;
Se quer de longe insinuavam
Tomar caminhos diferentes,
Nossos olhos cuidadosos evitavam ladear.
Te bebia como a terra bebe a chuva,
Te via como a flor no inabitável.
Te roubava um beijo de sonho,
Esquecia que sonhava acordado
.

8 de abril de 2011

Duas Rosas

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No âmago do meu ser há um canteiro

Onde brotam versos brandos e rimados.

Eu o rego todo dia, dia inteiro

Com as águas de um choro acumulado.

 

Neste seio inquieto e perturbado,

Minha alma planta os olhos com fervor,

Minhas juras se transmutam num cercado

Que protege minha fé no seu amor.

 

Vão e voltam estações a bel prazer,

No canteiro nada morre se exaspera...

Meu canteiro vive ainda por você,

Não influem o vai e vem das primaveras.

 

Se viésseis, meu amor, a visitá-lo

Duas rosas sei que iriam te encantar

Uma delas, a esperança, fino trato!

E a outra, solidão, me quer matar.


1 de abril de 2011

Fim

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Vou embora, ficando ao mesmo  tempo e 

Levando um pouco de você.

Vou saber se existe noutro mundo

Algo que me faça esquecer

Que deveria ficar.

Algo que me lembre

Que ficando sofreria mais,

Que sofrendo perderei a paz,

Que sem paz perderia tempo que gastaria

Tentando um recomeço feliz.

E feliz esqueceria que sem querer

Recordaria sempre o triste último

Momento.

25 de março de 2011

Detrás do óculos

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Detrás do óculos..., a maré, o vento no coqueiro,

A curva fechada do objeto da obsessão.

Bordado num lenço, um rosto imaginário,

Nas malas, lágrimas, sorrisos convulsos.

Nos bolsos a dúvida sobre o que faz aqui

E a certeza da morte.

Na mente a certeza irascível

De buscar nos outros pedaços de nós.

Prato de sempre: A criação.

6 de março de 2011

Chã do jenipapo

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Ah! Essa chã do jenipapo me entorpece!
Digo-lhe quando em vez: comida de bêbado,
Canabys, vela preta, vela branca …
Maldita seja essa bendita de grossas ladeiras
E suas já não virgens paisagens.
De seus açudes e tanques acima.
Amiga chã, minha e da “onça”, enfia-me goela a baixo
Quer seja onde eu esteja, a tristonha hora do ângelus,
Gritada por tua imponente igreja.
Nem sempre me respeita, as vezes teu seio
Margeio; só quero chorar, e até o julgo
Das tuas paredes me rejeita.
Um dia te deixo! Penso: pra não ti lembrar, levo pouca coisa:
A cachaça de feira, a cocada de francisquinha,
Mané-môco no açude, temperos, farinha, procissão,
Devoção ao padroeiro…
Sem esquecer o som que embala a mais festiva semana;
Festa de São Paulo, que serias sem a lira paulistana.
Vês como é, meu Deus?
A chã, hoje com nome de gente, nesse peito pinta e borda.
Faz e desfaz.
Crava-se no frei paulistano
Quando o mesmo pensa que dela se vai.
Às vezes é de ensurdecer, o berro das praças
E esquinas por seus “Heróis”: fundador, clérigos,
Seresteiros,políticos,que não findam
E jamais serão esquecidos. Essa terra tem um alto tom de voz.
Neste momento em que escrevo,
Me pego louco, entediado por culpa da tamanha
Paz e silêncio exagerado; Me embrulha o poder
Dessa terrinha. Eu queria agora a dor do mundo,
Quer fosse noutros prados, mas, ela, cínica,
Me detêm e reaninha. Eita chã do Jenipapo!

26 de fevereiro de 2011

O púlpito de alguns

moon 

Velado pela noite e a lua,
Em qualquer esquina de qualquer rua,
Surrado de vento, feroz e persistente
Um choro por dentro conduz minhas trêmulas mãos.
Ao papel borrão, te escrevo e dedico outra vez.

Louco, livre, o meu gargalhar é grave,
Mas não desperta alcovas sonolentas,
As varandas que contemplam o céu,
Ou o seresteiro que se vai...
Não apraz ou desagrada o passar das horas
Mesmo naquele agora lamurioso, ébrio e vadio.

É mutilar-se pelo ofício? Van
Gog?

Passam-me lembranças...
Sons que não descansam...
Sou o próprio cenário: Noite e Lua,
Esquina, rua, poeta, carne crua...

18 de fevereiro de 2011

Peito aberto

man

Não sou belo, sou homem.
Não sou sério, sou homem.
Não sou tudo, sou "pobre".

Não sou pérfido, nem impoluto.
Nem tão fraterno, nem tão astuto.
Não sou caro, sou raçudo.

Não me compre; me tome.
Sou o que queres. Se quiseres
Um Homem...

4 de fevereiro de 2011

Alva luz

Light_and_Darkness_by_Maevachan 

Ela é a própria luz. De brilho interminável
E grandeza indiscutível,
Criação incomparável para só um escolhido
Entre todos os sedentos e aflitos por amor.
Sem que saiba me conduz,
Ela é a própria luz!
Perdoa-me se ti enfadas de ouvir
Meu louvor a teus traços,
Hoje, é seu o espaço que foi morada
De um sombrio pensar.
Me inspiras, me tens...
Como não alardear? Tão alva a enxergo,
Neve nos campos...,
De uns cabelos negro manto
Ti inveja a lua com ciúmes mortais.
Seu olhar, trovão do vindouro verde,
Traz a água que nos mata a sede,
És a saudade que melhor me cai.

27 de janeiro de 2011

Pesadelo






 

 

 

Feito a espuma que se entrega a praia,

Pelos poros do nada vou sendo sugado.

Feito um trapo, a sorte que desmaia e o peito de

Só amar sem ser amado,

Estou desaparecendo.

Feito tristeza obedecendo a alegria,

O grito de amor que a mim ti traria,

O beijo e o carinho dos que à tempos são casados,

Estou desaparecendo.

Feito sorte ligeira que escorre das mãos

E frações de segundos em que a ti não me

Apliquei.

Feito os raros momentos de amor racional

E o dia que a mim negou-se

E assimilei...

Evanescence.

16 de janeiro de 2011

Estudo sobre o tempo

The_Time_Traveler_by_xetobyte

O tempo ! ?

É  fio branco ou preto de cabelo ?

É  o abrir  de olhos apressado ou calmo ?

É o noivado e o casamento  , tudo a seu tempo ,

Dois momentos ?

É pensar antes de  fazer ?

É  demorar a crêr ?

É  o querer ?

É  caminhar ou desistir ?

É quando me recolho e calo  ?

É  quando  amo  e tudo  e nada acontece ?

É  quando a alma  vibra , dorme , se  desilude ?

Ou o tempo  é quando

Não há mais tempo ?

7 de janeiro de 2011

Se ti vejo

Desire_by_young_feeling

Meu jeito de querer-te é réu confesso

Mesmo em todo seu silêncio .

Como-te com os olhos quando tenho

Você em minha frente , pouca roupa ,

Que desenho!

Rolam meus desejos corpo à baixo

Como seixos a chover de uma montanha ,

Ferve pelo teu meu pobre lábio ,

Transcendo de pensar tuas entranhas .

- cala-me ó morte! - Que já não posso sustentar

Mais esse gozo de não tê-la pérfida ,

Vadia em pensamento

E vê-la santa , futura mãe de meus rebentos.

- Cala-te razão ! – Noutro instante quero

Assim . O avesso de um idílio ,

O bater frenético dos cílios ,

Seu quarto e carnes tudo em fim .

É no meu peito esse duelo ,

Esse barulho infernal ,

E sou réu confesso

Num silêncio sepulcral .

4 de janeiro de 2011

O assassinato

muder

Eu matei !, matei quem mais amava ;

Me espanta o jeito como se deu …,

O modo como o remorso me assalta

E o tempo que , de apagar-se esqueceu .

Alva dama , adentravas a igreja impecável .

Disfarçado, de um conviva radioso , cá por dentro ,

Eu babava pelo inimaginável _

No altar , teu –não . Teu arrependimento .

Assenti , erradamente , que poria-me isento

De possíveis danos de emoções perturbadoras ,

Quando sentei-me frente à ambos ,

No banco primeiro da igreja de N.S. Senhora .

Em paz , caminhava o casal para o enlace,

Exteriormente , eu,expressava resignação .

Porém ,como da água a necessidade ,

Senti o monstro preparado para à ação.

Fui até o coche , levei mão de uma pistola :

Seria a hora fatal , da cerimônia o encerramento .

Pensei : “Terá seu fim , o mal que me assola

ou , morra eu , em anos mais de Dracônio tormento “.

Quando vi , lá vinham todos em cortejo e gracejantes ,

Pessoas dela , pessoas dele , palmas , felicitações ….

Sabe Deus o quanto quis naquele instante

Mudar o curso das terríveis intenções .

Mas quando no dedo dela a reluzir ,

Eu vi o símbolo terreno da união eterna ,

Empunhei o “ cospe fogo” e disse a mim :

Nem eu , nem ele .Que te abrace a fria terra !

Ainda hoje , nada do que eu venha à me ocupar ,

Faz sair da minha mente aquela cena :

O barulho de uma arma a disparar e ,

Ao chão , já sem vida o corpo de helena .